Nem ao menos eu visava
Onde paramos era antes inexistente, indiferente, inconciente
Agora está tudo diferente
Nada é o mesmo, o mesmo não é nada
E o nada se aproxima
Agora, está tudo em pedaços
Residuos, vestigios, restos
Tudo parece agir como a gravidade
Derrubando, pesando, separando, não sustentando
Não há sustento
Alicerce, já houvera
Porém já foi abaixo
Com toda essa chuva,
Chuva de desencontros,
Chuva do que há dentro de nós
Pequenas coisas que são grandes coisas
E juntas, enormes situações.
Não digo, não desminto
Sim fui feliz
Ainda sou
Em alguns momentos, algumas chances
Tento, assumo, eu tento, e faço
Porque além da chuva, há algo dentro
Algo que grita, mesmo que desesperadamente
De repente, ecoa, e lembro
Lembro de ontem, do ontem, do anterior
Aquilo que já passou
Haveria sustento nas lembranças?
Não seria isso comodidade?
Agora as coisas mudam tão repentinamente
Tenho muito medo, eu assumo, eu tenho
Me agrada mais a estabilidade
Estável na felicidade
Nada de altos e baixos
Certas coisas me dão nausea
Nauseas de tudo,
De me fazer vomitar as verdades
as informidades, os tais desencontros, descordancias,
Desacordos, desvirtudes, destruindo
Desolando, deslocando
Nossas vidas para cada vez mais longe
Mesmo que inconscientemente
Na intimidade ainda mais longe,
Distante, o espaço vai se tornando maior
Aberto, vazio, branco,
Tudo com o nada
E o nada se aproxima.